Diga-me.
Me diga
Men diga
O q faz tão derrepente
Todos gostarem de arte?
Não seria um pedido de absolvição?
Não seria a esperança de que lhes reste um coração?
Ora irmãos...
Fazeis-vos artistas,
E eu me assumo padre
Para dar-vos absolvição.
Paraísos já têm (ali perto do junco)
Eu sei que é longe da missão
Por isso nem todos conhecem.
Mas; sigamos com a prece...
Senhor deus,
Deus dos oprimidos;
Onde estás?
Estão todos aqui hoje.
São artistas
São oportunos,
São poetas;
São sisudos,
São eloqüentes.
Mas senhor,
Cá pra nós
Tem gente doente por aqui.
Vejo mutações dalinianas
Nesses meus concidadãos.
Com uma certa certeza
Vejo os vampiros,
Os dinossauros com seus portes inocultáveis;
E querem agora se disfarçar
Com o manto da arte
Um farrapo tão pobre e pequeno...
Todos vêem claramente o que
Está por trás...
Portanto, sigamos a liturgia...
A poesia
É o indulto
Da vossa covardia!
Por que só nessa noite?(malditos eclipsados)
E não todos os dias?
Só pode ser dessa mesma raiz de arte que faz um pai de família ser humilhado, ter sua família como insetos invertebrados e acéfalos, comendo migalhas dos restos permitidos, cuspidos e vomitados, trucentas vezes ruminados e dado como ração.
Como nos dourados tempos de outrora posso ver os coronéis com seus anéis e pedofilias.
Patrões de quem nos policia
Patrões de quem nos policia
Criam leis parciais;
Tão falsos quanto os artistas instantâneos,
Dietéticos,
artistas light.
Leis parciais democráticas
Com atenuantes para o senhor
E agravantes para o negro ladrão.
Mas,
Meu povo;
A aurora sempre vem.
Por mais escura que seja à noite
Apesar de você.
A sede por liberdade tem a força de um trilhão de bombas.
O coronel era o medo da noite;
Mas, o dia raiou no fuzil do capitão!
E vamos cobrar esses pecados
Desses seus filhos e netos
Do seu sobrenome maldito
E da sombra que restar de ti.
Q a sepultura recicle tua nódoa.
E q teu caixão tenha gavetas.
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